Parte 3

Nesta terceira parte, darei continuidade ao tema sobre os três pilares de um relacionamento.
Relembro que os três pilares de um relacionamento são os seguintes:

1-Respeito;
2-Comunicação;
3-Valores.

Nas duas anteriores edições foram abordados o pilar do respeito e da comunicação.
Neste artigo abordo o terceiro pilar, os valores, dando enfoque às convicções, uma componente importante rumo á descoberta dos verdadeiros valores, por vezes encobertos.

 

3 – VALORES

O terceiro Pilar fundamental para um bom relacionamento são os valores. Os valores assumem um papel tão importante como o respeito e a comunicação, sendo que é um pilar que deve estar presente de modo consciente, lúcido, transparente.

Num relacionamento recente, a intensa aventura da descoberta dos valores pode ser vivida de um modo tranquilo, com baixas expectativas, de um modo fluido com a naturalidade de que um relacionamento deve ter sempre presente acções e envolvência das partes, a chamada reciprocidade. Num relacionamento recente, é importante tolerar o desconhecido, para assim percecionamos melhor como o relacionamento poderá funcionar de modo mais tranquilo e honesto.

Num relacionamento conflituoso, a real descoberta dos valores certamente irão ajudar a tomar decisões para um melhor funcionamento baseado num ajuste entre as duas partes ao que realmente é importante para cada uma das partes, de modo a uma melhor conjugação do próprio relacionamento.

Num relacionamento antigo, este pilar pode ajudar a relembrar, a reavivar algo adormecido em cada uma das partes de forma a despertar a frescura do relacionamento. Poderá ser uma redescoberta bastante divertida, poderá ajudar a compreender a diferença entre cada uma das partes e, com uma vontade genuína e com base na parceria, encontrar uma melhor forma de funcionar, como que uma reinvenção, uma renovação.

Ou então, o trabalho neste pilar em específico, poderá permitir que cada uma das partes encontre o seu caminho de forma individual caso haja incompatibilidades estruturais entre as partes.
Poderá acontecer que as partes decidam terminar o relacionamento, o que será bom pois cada individuo viverá o seu próprio caminho de forma mais coerente e harmoniosa. Permitir-se-á viver mais em concordância com os seus valores mais genuínos.

 

Mas afinal, o que são valores?
O que entendes por valores?

Valores são aquilo que consideramos importante para nós, o que valorizamos.
São os valores que nos fazem aproximar ou afastar de algo. Podemos dizer que valores podem ser convicções que nos fazem mover e tomar decisões importantes para nós. Para isso é relevante conhecermos os nossos próprios valores. A isso chamo de auto-conhecimento.
Os valores são o que nos fazem sentir felizes, ou então, em caso de incongruência são os que nos fazem batalhar dentro de nós, connosco mesmos, os tais chamados conflitos internos.

Por isso, quando te dizem “VALORIZA-TE”, faz isso mesmo! VALORIZA-TE!

Descobre o teu valor real através da soma dos teus valores! Valores esses muitas vezes escondidos de ti mesmo, pelo teu ego, pela influência da superficialidade da sociedade, pela influência dos julgamentos das pessoas em teu redor…
Sim, eu sei que é duro! Que sofres com isso! Que dói não seres quem realmente és!…Isso acontece sempre que te lembras de alguma determinada fase da tua vida em que te sentiste bem contigo mesma(o). Talvez nessa fase estarias a viver mais os teus valores…Mas sabes, que interessa a maneira que a sociedade “diz” que “se deve viver”?
Que interessa o julgamento das pessoas em teu redor?
Já reparaste que ao não seres tu mesma(o), para te “integrares” na “moderna” e “evoluída” sociedade (e não duvidando que o consegues), já reparaste que a batalha, o conflito está dentro de ti?
O que dói mais?
Uma batalha externa com a sociedade ou uma batalha interna, contigo mesma(o)…? Dói mais lutares contigo mesma(o)!
Já reparaste que te atacas e te defendes ao mesmo tempo?
Já reparaste que te desgastas a cada dia mais?
Ao te atacares perdes energias…e, ao te defenderes…perdes energias! O que queres para ti? Como queres viver?

Chegou a hora! É agora! Decide-te! Avança com força!
Proponho-te este exercício que parte de uma lógica de expores as tuas convicções mais fortes. Sugiro que reserves um pouco de tempo dedicado só a isto. É um exercício individual, contudo funciona muito bem nos relacionamentos, caso ambos decidam aceitar este desafio. Nesse caso, cada uma das pessoas faz de modo individual e depois partilha com a outra pessoa. Um bom diálogo e exemplos práticos poderão enriquecer qualquer tipo de relacionamento.

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As convicções são os filtros que nos concedem a perceção do mundo, o nosso mundo e não o mundo real, daí a realidade ser subjetiva. E ao contrário do que possam pensar, a subjetividade da realidade é uma riqueza maior que permite a evolução do Ser Humano pois cria-se uma diversidade e múltiplas possibilidades de soluções.
Com os nossos filtros julgámos e damos ao cérebro uma ordem de como nos comportar, de materializar a nossa perceção. Os filtros controlam a nossa realidade fisiológica.
Podemos dizer que essa materialização é a motivação das nossas convicções com os nossos valores (estes por vezes impercetíveis).

A primeira etapa da formação dos nossos valores passam pela infância, até cerca dos 8 anos. Já as convicções formam-se com maior incidência no período da adolescência. Portanto, toda a formação dos filtros do Ser Humano passa sempre pelo ambiente e cultura dos quais estão inseridos.
Conhecendo o nosso sistema de convicções e valores tornamo-nos dotados de maior consciência e clareza acerca das nossas ações. Desta maneira podemos sempre alterar os nossos filtros quando percecionamos que podemos funcionar de maneira diferente rumo a um resultado desejado, mais favorável, mais rentável.
Acreditar que a transformação de um relacionamento que passa por dificuldades é possível, é uma convicção! No entanto, se não tiver presente os valores chave esta convicção não tem uma base sólida pois não alcança o motivo para o resultado desejado.
Para isso é necessário dar um passo em frente e tornarmo-nos observadores de nós próprios nos diversos contextos da vida. Esta observação passa por um papel imparcial, de forma a neutralizar qualquer emoção associada ao momento observável.

No exercício anterior provavelmente houve dificuldades em encontrar as convicções limitadoras (porventura até mesmo as facilitadoras).
Então agora neste exercício desafio a te manteres alerta durante o dia todo, percebendo se em algum momento “não podes” ou “não tens vontade” de fazer algo. Sugiro que atentes às atitudes e comportamento, pois por detrás disso pode haver uma convicção limitadora.

Este é o desafio que deixo para este dia.
Consciência, auto-observação, auto análise acerca das atitudes tomadas.
Escreve por tópicos durante o dia ajuda a lembrar. À noite faz a tua análise. Verás as tuas verdadeiras convicções.
Após isto podes partilhar com a outra parte as convicções e dialogar no sentido de chegar a conclusões e esclarecer eventuais dúvidas entre ambos. Aqui, neste exercício, não existe julgamento. É muito importante!

Na quarta parte, abordaremos concretamente como descobrir o que realmente é importante para cada uma das partes envolvidas num relacionamento, com exercícios a trabalhar em conjunto.

 

Pedro Gomes
Coach de Vida (Coach profissional certificado Nº S495-2017PT)
Programação Neurolinguística com foco terapêutico e emocional
Desenvolvimento Pessoal, autoconhecimento, desenvolvimento de comunicação
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